quarta-feira, 22 de junho de 2011

Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)

Não é de Deus, nem do Diabo, a Terra é do Homem. Uma vida sofrida, numa terra desolada, comandada por coronéis e homens da igreja, marcada pelo desespero e pela seca. O que resta da esperança? A esperança foi roubada. Para Manoel não resta nada a não ser pegar a mulher e ir embora, ir para procurar uma vida melhor, deixando a miséria para trás.
A primeira vez que vi Deus e o Diabo, foi na Faculdade de História da USP numa sessão especial. Glauber Rocha explodiu dentro de mim, mistura de faroeste, drama caboclo, Villa Lobos e Sergio Ricardo, o filme me conquistou. Numa época de Ditadura Militar, nada como a contestação ao poder e essa contestação foi total. Contestação ao poder civil e religioso.
Glauber é um daqueles diretores que não fazem concessão a nada, pegam uma câmera na mão e filmam o que sentem, de forma absoluta, de vez em quando com frieza outras vezes com calor, o que fica para nós é um sentimento de angustia e revolta, o mundo como ele é.
O que é interessante em Deus e o Diabo é que a dicotomia está no mesmo plano, não existe Deus bom e nem Diabo que o carregue. Os dois fazem parte da mesma esperança e no fim ficamos com a sensação de que a esperança não existe no plano místico, ela está no próprio homem. Assim o filme tem um pouco de tudo: é um épico social; um combate ao fanatismo religioso; uma critica ao misticismo e uma aula de História. Caminha entre os lideres religiosos e a saga do cangaço, enveredando pela ótica do banditismo social e da epopéia Histórica da Guerra de Canudos. Você pode até não gostar, mas é impossível ficar indiferente.

Danilo Donzelli Alves / A falha de Obi-Wan

1 comentário:

  1. Uma odisséia nordestina que perturba. Possivelmente o melhor momento de Glauber.

    O Falcão Maltês

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