
Vencedor de dois Óscares – Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Argumento Original – e nomeado para outros dois – Melhor Actriz (Anouk Aimée) e Melhor Realizador (Claude Lelouch) – em 1967, “Un Homme et une Femme” é um sublime retrato não apenas do amor entre duas pessoas, com bagagens emocionais e demónios pessoais próprios, mas do próprio conceito do amor. A dada altura, a personagem de Jean-Louis Trintignant, um piloto profissional e pai solteiro, profere a frase “é louco recusar a felicidade”. Esta história de duas almas torturadas que se encontram mutuamente poderia perfeitamente ser um clássico romântico de Hollywood, em que duas pessoas se apaixonam, passam por uns problemas e acabam felizes para sempre. Mas não é. É antes um ensaio sobre a impossibilidade de encontrar a felicidade plena (se é que esta existe) quando se é assombrado pelo passado. Jean-Louis e Anne, o homem e mulher do título, não se apaixonam do dia para a noite, mas sim através de um lento e orgânico processo, por meio de olhares e mãos dadas. E se qualquer outro filme não hesitaria em saltar da mesa para a cama, Lelouch prolonga os olhares, adiando o pay-off e complexificando a relação e os passados das suas personagens. Tudo isto culmina na mais famosa cena do filme, em que Jean-Louis, depois de completar o Rally de Monte Carlo, recebe um telégrafo de Anne, finalmente pronta para lhe dizer que o ama. Ele volta para o seu carro, conduz Europa fora até chegar a ela e os dois fazem amor pela primeira vez. Lelouch interrompe a cena com imagens de Anne com o seu falecido marido, deixando claro que o seu corpo está com ele mas a sua mente ainda é devota a outra pessoa. Jean-Louis apercebe-se e os dois seguem caminhos diferentes. É de uma beleza agridoce capaz de partir corações em centenas de pedaços.


Pedro Ponte / Ante-Cinema
Eis uma boa ocasião para rever este fantástico filme!
ResponderEliminarCumps cinéfilos a toda a tertúlia!
Cheguei a este filme quando estudava na Alliance Française para um exame de francês, já foi à uns tempos, mas é facto inesquecível. A realização e cinematografia são magistrais, e há que realçar a fantástica trilha sonora! Cativante. Está excelente a tua análise, parabéns.
ResponderEliminarSarah
http://depoisdocinema.blogspot.com
Espero que sim, Sam. A intenção era precisamente incentivar quem ainda não o viu a fazê-lo e recordar os que já viram desta grande obra, muitas vezes esquecida. Obrigado, Sarah. O input da banda-sonora é muito pertinente; é realmente fabulosa.
ResponderEliminarCumprimentos.